Abri um vidro vermelho
Dele tomei as pílulas que lá se encontravam
Para poder me desligar
Para escapar
O efeito é lento, tão lento quanto o passar do tempo
A vontade é de esvanecer, porém não consigo me entregar a isso
Enquanto as horas passam, aguardo a reação, para me desligar
Para escapar outra vez, outra vez e outra vez...
Dentre tantas portas a abrir, essa é até agora a mais difícil
Quase me esqueço de fechá-la, mas pra que fazer isso
Quando na verdade, fechar não vai adiantar
Apenas olhando para trás, foi onde perdi-me e nunca mais me encontrei
Sempre com esse vidro guardado dentro do bolso
Um vermelho tão vivo quanto o sangue em meu corpo
Mas, onde está o efeito, ele não chega, não acontece
Mais fácil seria me entregar de uma vez, ou não
Como quebrar esse vidro se tornou tão dolorido
Desse ponto em diante, cansei de procurar resposta
Vidro tão frágil, mas ao mesmo tempo tão inquebrável
Abri um vidro vermelho
Vidro vermelho que corta profundamente
Dele tomo todo seu conteúdo
Para poder me desligar
Para escapar
Para sonhar...

