sábado, 26 de março de 2022

Vidro



Abri um vidro vermelho

Dele tomei as pílulas que lá se encontravam

Para poder me desligar 

Para escapar


O efeito é lento, tão lento quanto o passar do tempo

A vontade é de esvanecer, porém não consigo me entregar a isso

Enquanto as horas passam, aguardo a reação, para me desligar

Para escapar outra vez, outra vez e outra vez...

Dentre tantas portas a abrir, essa é até agora a mais difícil


Quase me esqueço de fechá-la, mas pra que fazer isso

Quando na verdade, fechar não vai adiantar

Apenas olhando para trás, foi onde perdi-me e nunca mais me encontrei

Sempre com esse vidro guardado dentro do bolso

Um vermelho tão vivo quanto o sangue em meu corpo


Mas, onde está o efeito, ele não chega, não acontece

Mais fácil seria me entregar de uma vez, ou não

Como quebrar esse vidro se tornou tão dolorido

Desse ponto em diante, cansei de procurar resposta

Vidro tão frágil, mas ao mesmo tempo tão inquebrável 


Abri um vidro vermelho

Vidro vermelho que corta profundamente 

Dele tomo todo seu conteúdo

Para poder me desligar

Para escapar

Para sonhar...